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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

poesia – das diferenças e do justo


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das diferenças e do justo

gosto de observar
de ouvir passarinhos
e com eles chilrear

certa vez, um bem-te-vi
grandão malvado
talvez a invejar
deu uns sopapos
num lindo cantorzinho
de voz maviosa tamanha
e corpo menor

bronqueei, repreendi
botei bem-te-vi de castigo
passei bem um ano
sem com eles falar

, normalizou
não seria justo
toduma espécie
a vida inteira pagar
pelo erro de hum

S. R. Tuppan

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Aprendendo a Transitar

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[Em resposta ao desafio de Poesia
do amigo Lourival Fernandes]

Aprendendo a Transitar

Primeiro andamos a pé
Depois vem a bicicleta
Homem, menino, mulher
Circular ou linha reta
Respeito é o que mais se quer
Carro, trem, motocicleta
Ônibus ou caminhão

Vamos manter a razão
Cultivar a gentileza
A paz seja a direção
Comum, a delicadeza
A saber que a solução
É viver com mais beleza
Eis a profissão de fé.

S. R. Tuppan



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quinta-feira, 24 de julho de 2014

* Bebendo o Encantado

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Bebendo o Encantado
A Ariano Suassuna
  
                                                                     Foto colhida no Google

Eu também já fui menino
Inda gosto de brincar
Viajo no céu estelar
Amo o verbo repentino
Sem deixar de ser traquino
A Vida e a Morte na mão
Cultivando a comunhão
Amando as belas meninas
Desce tudo nas urinas
A compor Nova Canção

S. R. Tuppan

Boa Viagem, Recife, 24 julho 2014
Meio-Dia

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Croniqueta

Um Sonho

O Poeta e o Grande Cineasta Pensador,
tranquila e animadamente, a prosear.
Daí a pouco, o Grande Compositor.

Alguéà porta. Ela.
Linda, muito linda!
Olhos vívidos, mais do que sempre.
Longuíssimos cabelos em cores.
Translúcida tez macia.

Sussurra-lhe algo, em tom de brincadeira.
O Poeta responde em sintonia.
Olham-se, dão-se as mãos.
Sem querer, o despertar.

Agora buscar reviver,
na insurgente vigília, o que se dá
na maravilhosa dimensão onírica do Ser.

S. R. Tuppan

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crônica Poética – Beco da Fome


Beco da Fome
(um tempo atrás)

Zum-zum-zum!
Gentes.
Cheiros: frituras, cachaças, esgotos, suores.
Sol a pino. 
O Recife ardente no mormaço central.
A cidade acesa em alvoroço, crua, cotidiana, indócil, contraditória, estéril, prenhe, a suportar as mazelas, em sua ultrajante rotina centenária.

Por-do-Sol.

A moça mangueia, o moço vagueia, zonzo, o bêbado cambaleia.
Fascinantes encontros ocasionais.
Homens, mulheres, jovens, adultos, velhos, quase misturados, na lonjura dos caminhos ou da mesa ao lado.
Alternativos, loucos, excluídos, marginais.

Surgem os Poetas, achegam-se os Músicos, vários Artistas sensacionais.
Indiferente, incólume, sem pressa alguma, organicamente, a noite cai.
Espontâneo sarau a expor desconcertantes histórias de amores ímpares, (in)gloriosas aventuras citadinas, logros, quimeras, sofreres, gozos.
A crítica cáustica aos poderes.
Aguçadas ironias, sarcasmo contra os vassalos e seus maiorais.
Cruciantes, súbitas, ébrias sincronias.
Paixões nascentes, maduras, desfeitas, sem pudores.
Risos, brigas, beijos, choros, dormências, carnavais.

Meia-noite.

Insones baratas, ratazanas, polícias, gays, putas, ladrões, cheira-colas e outros viciados.
Até o dia amanhecer com sua indômita crueza incendiária.
Se chover, alaga tudo.
Aí, danou-se, as lamas se misturam – dos mangues, dos bairros, das gentes, bueiros, catedrais , conformando o denso caldo de esdrúxulas agonias, agruras terríveis, sonhos abortados, esparsas alegrias, onde a Poesia aflora  bruta –, expande, explode, urra, imola-se, goza e chora, mas não se cala.

S. R. Tuppan

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sábado, 25 de janeiro de 2014

Cachoeira de Fogo




Cachoeira de Fogo 
[CocnRoll]

corre um rio de fogo
descendo a ribanceira

vai matando bicho
derretendo gente
aumentando a bagaceira




é lava, cinza, fumaça
não escapa ninguém

por onde ele passa
o destino é a morte
morre o rico sem sorte
e o pobre também

morrem todos de graça
quem tem e quem não tem

S. R. Tuppan



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