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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Crônica ~ A Solidão e a Arte do Artista

~ * ~

A Solidão e a Arte do Artista

(A Rodolfo Mesquita, in memoriam)


Quanto vale uma Obra?

E uma Vida?

Como se reconhece um Artista?

O que fica dele, a sua Arte?


Não me lembro exatamente de como conheci
o Desenhista/Pintor Rodolfo Mesquita.

Possivelmente, através do saudoso Poeta/Escritor
Francisco Espinhara, amigo em comum,
numa daquelas confluências de Boemia e Artes,
que frequentemente se davam
nas vivíssimas noites da Boa Vista,
Centro do Recife, na década de 90.

Chico e ele se conheciam há tempos e,
mais pra frenteo Professor de Literatura
lançaria o livro de contos curtos Sangue Ruim’,
com ilustrações de Rodolfo, cuja fama
(e atitudede sarcástico não impediu
que nos déssemos bem ~ talvez por isso mesmo: inteligentíssimo, detestava burrice.

Não sem alguma provocação inicial,
que um apaziguador Espinhara (quem diria!)
logo tratou de dissipar.

Devemos ter bebido, eu, ele, Chico,
o também já encantado Poeta/Escritor/Compositor
Erickson Luna e mais alguém.

Eu já conhecia o irmão dele, Poeta
Celso Mesquitacavalheiro de fala
e gestos calmos e texto profundo.

Por essa época, eles andavam distantes.

*

Nas esparsas vezes em que nos encontramos,
algo como uma sutil cumplicidade;
cada um com suas idiossincrasias
e o mútuo respeito por elas.

A obra em si, vi de perto (e gostei)
na Exposição Desenhos Urgentes’, em 2003
~ após um hiato de dez anos sem expor,
o arredio Rodolfo Mesquita voltava à cena,
numa admirável mostra da recente produção
de suas personalíssimas pinturas,
com o recorrente e merecido sucesso.

Curioso que ele, precavido em ocasião crucial,
proibira’ ~ conhecendo-os bem ~
uns amigos nossos de irem à sua vernissage,
a fim de evitar qualquer embaraço.

[Risos!Coisas de Artistas.

Ali, estava sério, compenetrado, profissional.

*

Certa feita, num fim de tarde sossegado,
eu flanava pelo Bairro do Recife,
a fruir a placidez do ocaso,
naquele sítio de histórias e belezas seculares,
onde, altiva e poética, nasceu como cidade
a revoltosa Capital de Pernambuco.

De repente, numa esquina arborizada
da famosíssima Avenida Rio Branco,
surge Rodolfo; daí, vamos tomar umas,
como, por vezes, sói acontecer
nesses propícios encontros inesperados.

Conversamos sobre a Vida, Arte,
a Veneza Venérea’ e não sei mais o quê.

Cedo da noite em flor
~ meio ébrios, semissóbrios ~,
seguimos cada qual o seu rumo.

Veríamo-nos outras vezes ainda.

*

Deixo, por ora, este registro,
singela sincera homenagem

ao Grande Artista Rodolfo Mesquita,

que, tendo pintado as entranhas do 7,
de mãos dadas à inexorável,
acaba de romper o elo e partir
para o encontro definitivo com o Cosmos.

Salve!


S. R. Tuppan,

Recife, 26 de fevereiro de 2016.



Pintura de Rodolfo Mesquita,
Exposição Desenhos Urgentes’,
Galeria Amparo 60, Recife, 2003

*

Rodolfo Mesquita em seu Ateliê, Recife, 2009
Foto: Carlos Montenegro






https://rodolfomesquita.wordpress.com


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