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domingo, 25 de setembro de 2016

Poesia ~ Mensagem (Carta à Prima)


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Mensagem (Carta à Prima)

Dois sentimentos
um que vem sem ser chamado: Saudade;
e outro a que chamamos: Alegria!

Aquela chega, invade;
o calor desta aquece o dia.

Amar, viver é sem receita.
Cada qual é que se sabe.

Na vida também nos cabe
sabê-la não tão perfeita.

E, assim, seguimos bem
a viver o melhor da Vida, vem.

S. RTuppan



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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Conto ~ Atrasilda?




O clima não estava nada bom na ‘Grande Pequena’ ou ‘Terra do Se e do Quase’ ou ‘País do Regresso’, no modo jocoso como era carinhosa e vulgarmente chamada pela Matriz a mais criativa Província e maior fornecedora de matéria-prima do Sistema.

Até há pouco próspera e autoconfiante, com sucessivos e autônomos governos progressistas, acabara de sofrer um golpe e vira-se, uma vez mais, dominada por corruptos, gananciosos, entreguistas, subservientes à Matriz.

Estes seres inescrupulosos, semi-fictícios ~ nos quais inexiste qualquer boa intenção ou resquício sequer de bom sentimento para com o semelhante ou o lugar onde nasceram e do qual, desavergonhada e vorazmente se locupletam; insaciáveis no mesquinho afã de defender seus interesses inconfessáveis ~, num delírio megalomaníaco, nela pretendiam instalar, quase que num átimo, um bizarro tempo paralelo, fundindo a Idade das Trevas com a Idade da Pedra Lascada.

Uma bem orquestrada trama vencera, parecia. Instigado nas mídias, artificial e meticulosamente implantado, cultivara-se em significativa parcela da população o ódio irracional a tudo que fosse, lembrasse ou parecesse o lado oposto, na síntese semiótica da cor: Vermelha!

Naqueles idos de pesar e nada saudosa memória, multidões em manadas aderiram ao primarissímio, superficial, mais-que-grotesco e venal verde-amarelismo, singela e providencialmente reanimado pelas oligarquias, para deleite das rançosas e prestativas viúvas das muitissimamente odiosas ditaduras.

Na ausência de legitimo prócer, essas legiões de ignaros ignotos tinham como ídolos notórios embusteiros, aspirantes a um lugar na casa-grande, famosos decadentes, membros facciosos da magistratura, variadas subcelebridades a que ~ na indubitável falta de lucidez e bom senso, que tão pueril e pateticamente as caracteriza ~, inadvertida e despropositadamente, chamavam de ‘líderes’ (sic).

Receberam essas levas de filhotes de proveta da ignomínia, o neologismo que tão infeliz e adequadamente as sintetizava e definia: midiotas.

“Mas a vida é (sur)real e de viés” ~ parafraseando o compositor popular.
Embora parecesse vitorioso, aquele desonrado e desonroso (des)arranjo intestinal, digo, institucional, em pouco tempo veio a naufragar, como sói acontecer àquilo que não possui legitimidade, por não ter raiz nem sustentação no cerne da vida real, por não se basear na íntima substância de tudo: a Verdade.

Após aquele trágico e ~ graças às lúcidas lutas organizadas e bravamente encampadas pelas camadas mais esclarecidas e inconformadas da sofrida, porém vivaz população ~ breve período de obscuridade, Atrasilda retoma o seu rumo, a reconquistar, indômita, a então fragilizada autoestima e a urgentíssima autonomia, a fim de tornar-se igualitária, a construir-se fraterna e solidária, fundada na Beleza e na Justiça: a concretização do Sonho Coletivo a realizar-se em práxis, a consolidar perene, consciente, profundamente a sua tão almejada e legítima autodeterminação.

Inspirada na milenar Sabedoria dos Povos Originários, no seu desde sempre lúdico, saudável viver pleno em Harmonia Consigoentre Si e com a Natureza, um respeitar-se e proteger-se mutuamente, sendo pura, vera e naturalmente uma Grande Família Comum, sem dominador nem dominado, onde as Crianças são cuidadas, as Mulheres, igualmente consideradas e os Anciãos, Guardiães dos Saberes Sagrados, inspiradores admirados, Guias das Novas Gerações.

Para uma novíssima era, que a Vida Nova anuncia, poeticamente a reinventar-se, um antigo nome novo: Utopia!


S. R. Tuppan,


Sete de Setembro de 2016.



O Equilíbrio do Mundo ~ Arte Yanomami 


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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Poesia ~ Estradas Siderais

                        
                       Estradas Siderais


                            Na labuta da vida matutino
                            Conhecendo os segredos seculares
                            Ensinando ao maiores dos mortais
                            Com ogivas armados os cantares
                            Derretendo as camadas glaciais
                            Vivendo sem temer nenhum destino
                            Nas estradas dos versos siderais

                            Amar é sempre um grande desafio
                            Provoca os corações mais comportados
                            E os condena a penas capitais
                            Amantes de amor desesperados
                            Não precisam motivos racionais
                            É quando o mar vai desaguar no rio
                            Nas estradas dos versos siderais

                            Na jornada devemos ser ousados
                            Desbravar novos caminhos pioneiros
                            Honrar a tradição dos ancestrais
                            Encontrando os amigos verdadeiros
                            Queridos pelos bens universais
                            Seguindo por caminhos estrelados
                            Nas estradas dos versos siderais.

                        S. R. Tuppan



Crowded Heart of Hercules Globular Cluster
Image by ESA / NASA Hubble

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Hubblecast 93: Telescópio Teamwork



O Telescópio Espacial Hubble, da NASA / ESA, é um dos telescópios mais sofisticados do mundo. Mas mesmo o Hubble não pode descobrir todos os segredos do Universo, por conta própria.
Esta nova Hubblecast concentra-se nas descobertas astronômicas feitas usando o Hubble e outros telescópios, tanto no espaço como no chão, em um trabalho de equipe científica.

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domingo, 7 de agosto de 2016

Crônica Poética ~ Mergulho


Mergulho


Amigo visita, bem de manhã cedo.
Sono, quase nada ~ noite, vinho, Poesia.

À praia, marolar!

Nas piscinas naturais,
a maré enchendo,
arrecifes escorregadios;
à luz do horizonte,
a onda puxa o Poeta
ao profundo mar.

Nas águas revoltosas, luto
pra (sobre)viver,
a honrar Poseidon,
sem temer tubarões
~ Oceano a definir.

Chama o Guarda-Vidas!”,
grito ao parceiro, na praia.

Um átimo, não desistir.
Cansado, mergulho,
sigo a correnteza, submerso.
Salvo, toco os corais.

O socorro vem, pronto.
Diz que nos salva lutar,
sem desistir ou fraquejar.

Morno é o mar, praiano calor,
espumas coloridas: Boa Viagem!


S. R. Tuppan


Arrecifes em Boa Viagem, Pernambuco

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Crônica ~ A Solidão e a Arte do Artista

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A Solidão e a Arte do Artista

(A Rodolfo Mesquita, in memoriam)


Quanto vale uma Obra?

E uma Vida?

Como se reconhece um Artista?

O que fica dele, a sua Arte?


Não me lembro exatamente de como conheci
o Desenhista/Pintor Rodolfo Mesquita.

Possivelmente, através do saudoso Poeta/Escritor
Francisco Espinhara, amigo em comum,
numa daquelas confluências de Boemia e Artes,
que frequentemente se davam
nas vivíssimas noites da Boa Vista,
Centro do Recife, na década de 90.

Chico e ele se conheciam há tempos e,
mais pra frenteo Professor de Literatura
lançaria o livro de contos curtos Sangue Ruim’,
com ilustrações de Rodolfo, cuja fama
(e atitudede sarcástico não impediu
que nos déssemos bem ~ talvez por isso mesmo: inteligentíssimo, detestava burrice.

Não sem alguma provocação inicial,
que um apaziguador Espinhara (quem diria!)
logo tratou de dissipar.

Devemos ter bebido, eu, ele, Chico,
o também já encantado Poeta/Escritor/Compositor
Erickson Luna e mais alguém.

Eu já conhecia o irmão dele, Poeta
Celso Mesquitacavalheiro de fala
e gestos calmos e texto profundo.

Por essa época, eles andavam distantes.

*

Nas esparsas vezes em que nos encontramos,
algo como uma sutil cumplicidade;
cada um com suas idiossincrasias
e o mútuo respeito por elas.

A obra em si, vi de perto (e gostei)
na Exposição Desenhos Urgentes’, em 2003
~ após um hiato de dez anos sem expor,
o arredio Rodolfo Mesquita voltava à cena,
numa admirável mostra da recente produção
de suas personalíssimas pinturas,
com o recorrente e merecido sucesso.

Curioso que ele, precavido em ocasião crucial,
proibira’ ~ conhecendo-os bem ~
uns amigos nossos de irem à sua vernissage,
a fim de evitar qualquer embaraço.

[Risos!Coisas de Artistas.

Ali, estava sério, compenetrado, profissional.

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Certa feita, num fim de tarde sossegado,
eu flanava pelo Bairro do Recife,
a fruir a placidez do ocaso,
naquele sítio de histórias e belezas seculares,
onde, altiva e poética, nasceu como cidade
a revoltosa Capital de Pernambuco.

De repente, numa esquina arborizada
da famosíssima Avenida Rio Branco,
surge Rodolfo; daí, vamos tomar umas,
como, por vezes, sói acontecer
nesses propícios encontros inesperados.

Conversamos sobre a Vida, Arte,
a Veneza Venérea’ e não sei mais o quê.

Cedo da noite em flor
~ meio ébrios, semissóbrios ~,
seguimos cada qual o seu rumo.

Veríamo-nos outras vezes ainda.

*

Deixo, por ora, este registro,
singela sincera homenagem

ao Grande Artista Rodolfo Mesquita,

que, tendo pintado as entranhas do 7,
de mãos dadas à inexorável,
acaba de romper o elo e partir
para o encontro definitivo com o Cosmos.

Salve!


S. R. Tuppan,

Recife, 26 de fevereiro de 2016.



Pintura de Rodolfo Mesquita,
Exposição Desenhos Urgentes’,
Galeria Amparo 60, Recife, 2003

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Rodolfo Mesquita em seu Ateliê, Recife, 2009
Foto: Carlos Montenegro






https://rodolfomesquita.wordpress.com


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