De repente, lado a lado andávamos, cedo
da noite, em uma calma rua florida.
Imediatamente, sem qualquer temor,
tudo era normal.
Chico, tranquilo, disse não conseguir encontrar o endereço daquele cartão de visita.
Perguntei se era de uma mulher.
Respondeu que sim, mostrando-me o cartão e um pequeno pin com a mesma delicada espiral em verde.
No fim da mini alameda, em frente ao grande portão de ferro vazado abrindo-se para o pátio de uma aprazível vilazinha com lindas
casas antigas em cores claras, ajardinadas e bem cuidadas, declinou o nome dela: Ângela.
Subitamente, a alguns passos, surge, em
meio aos poucos transeuntes, uma belíssima jovem de longos cabelos
castanhos ondulados, suavemente a sorrir com os vívidos olhos cor de mel.
Ao nos cruzarmos, entre incrédula e
surpresa com o improvável encontro, virou-se para confirmar.
Acompanhei-a com o olhar. Nesse
átimo, o amigo poeta sumira. Apenas seu chapéu no chão ficara.
Ela o pegou, delicadamente colocou-o
na minha cabeça e, com um leve sorriso, deu-me o braço.
Despertei, então, sem sobressaltos.
✨
No sonho, além da visão da Beleza, encontrara
o saudoso amigo, quando se completam dez anos do seu encantamento.
E a onírica viagem, na vigília fez-se
literária, dall'aldilà voejante sobre os
meus papéis.
S. R. Tuppan ⚡
Recife, 24 de Janeiro de
2017.
Ao Amigo Poeta, Contista, Editor e Professor
Francisco
Espinhara,
falecido em 13 de fevereiro de 2007. P. S.: As palavras que encerram a frase final deste "O Chapéu" referenciam-se nas derradeiras do miniconto de F. E. "Eczema no Lírico" (dedicado a Manuel Bandeira), do seu livo 'Sangue Ruim' (2005).
O clima não estava nada bom na ‘Grande Pequena’ ou ‘Terrado“Se”edo“Quase”’ ou ‘País do Regresso’, no modo jocoso como era tinhosa e vulgarmente chamada pela Matriz a mais criativa Província e maior fornecedora de matéria-prima do Sistema.
Até há pouco próspera e autoconfiante, com
sucessivos e autônomos governos progressistas, acabara de sofrer um golpe e vira-se,
uma vez mais, dominada por corruptos, gananciosos, entreguistas, subservientes
à Matriz.
Esses inescrupulosos seres semifictícios – nos quais inexiste qualquer boa intenção ou, sequer, resquício de bom sentimento
para com o semelhante ou o lugar onde nasceram e do qual, desavergonhada e
vorazmente se locupletam; insaciáveis no mesquinho afã de defender seus interesses inconfessáveis –, em delírio megalomaníaco, quase que num átimo, nela pretendiam instalar um bizarro tempo paralelo, fundindo a Idade das Trevas com a Idade da Pedra Lascada.
Uma bem orquestrada trama vencera, parecia.
Instigado nas mídias, artificial e meticulosamente implantado, cultivara-se em significativa parcela da população o ódio irracional a tudo que fosse, lembrasse ou parecesse o lado
oposto, na semiótica síntese da cor: Vermelha!
Naqueles idos de pesar e nada saudosa
memória, multidões em manadas aderiram ao primarissímio, simplório, mais-que-grotesco
e venal verde-amarelismo, superficial e providencialmente
reanimado pelas oligarquias, para deleite das rançosas e prestativas viúvas das muitíssimoodiosas ditaduras.
Na ausência de legítimo prócer, essas legiões
de ignaros ignotos tinham como ídolos notórios embusteiros, aspirantes a um
lugar na casa-grande, famosos decadentes, membros facciosos da magistratura, uma rama de pueris e patéticas subcelebridades a que – na indubitável falta de lucidez e bom senso –, inadvertida e
despropositadamente, chamavam de líderes (sic).
Essas levas de filhotes de
proveta da ignomínia sofrem do terrível mal que o neologismo, precisa, infeliz e adequadamente, sintetiza e define: midiotia.
“Mas a vida é (sur)real e de viés” – parafraseando o compositor popular.
Embora parecesse vitorioso, aquele
desonrado e desonroso (des)arranjo intestinal, digo, institucional, em pouco
tempo veio a naufragar, como sói acontecer àquilo que não possui legitimidade,
por não ter raiz e nenhuma sustentação no cerne da vida real, por não se basear na íntima
substância de tudo: a Verdade.
Graças às lúcidas lutas
organizadas e, bravamente, encampadas pelas camadas mais esclarecidas e
inconformadas da sofrida, porém vivaz, população, após aquele trágico e, relativamente, breve período de obscuridade, superando o ultraje, Atrasilda retoma o seu rumo, a reconquistar,
indômita, a então fragilizada autoestima e a urgentíssima autonomia, a fim de tornar-se igualitária,
a construir-se fraternal e solidária, fundada na Beleza e na Justiça.
Segue, assim, a concretização do Sonho Coletivo a realizar-se em práxis, a
consolidar perene, consciente, profundamente, a sua tão almejada e legítima
autodeterminação.
Inspirada na milenar SabedoriadosPovos Originários, no seu, desde sempre, saudável e lúdico viver pleno em Harmonia Consigo, entre Si e com aNatureza, um respeitar-se e proteger-se mutuamente, sendo pura, vera e
naturalmente uma Grande Família Comum, sem
dominador nem dominado, onde as Crianças são por todos cuidadas, as Mulheres, igualmente consideradas, e as Ançiãs e os Anciãos, Guardiãesdos Saberes Sagrados, nossos inspiradores e admirados Guias das Novas Gerações.
Para uma novíssima era, que a Vida Nova anuncia, poeticamente a reinventar-se, um antigo nome novo: Utopia!
Mas mesmo o Hubble não pode descobrir todos os segredos do Universo, por conta própria.
Esta nova Hubblecast concentra-se nas descobertas astronômicas feitas usando o Hubble e outros telescópios, tanto no espaço como no chão, em um trabalho de equipe científica.